Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco 2016-2025

Esta metodologia proporciona a análise do funcionamento de toda a bacia hidrográfica e a consideração de todos os usos da água, incluindo as necessidades dos ecossistemas. Para o efeito, utilizou-se o LabSid-ACQUANET 2013, desenvolvido pelo Laboratório de Sistemas de Suporte a Decisões (LabSid) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Para avaliar a capacidade de satisfação das necessidades de água, foram definidos os seguintes indicadores:
GAR = 100 – FAD.
VMF = VZF/Dmed x 100.
Estes dois indicadores oferecem uma visão da capacidade de as diferentes demandas serem satisfeitas. Não existindo valores de referência para estes dois indicadores, recorreu-se a tabelas de classificação (usos abastecimento e indústria e usos agropecuária e energia) para avaliar a capacidade da bacia hidrográfica do rio São Francisco em satisfazer as respectivas demandas.
| Abastecimento e indústria | GAR > 95 | 90 < GAR < 95 | 80 < GAR < 90 | 50 < GAR < 80 | GAR < 50 |
| VMF > 95 | Excelente | Confortável | Confortável | Preocupante | Preocupante |
| 90 < VMF < 95 | Confortável | Preocupante | Preocupante | Crítico | Muito crítico |
| 80 < VMF < 90 | Preocupante | Preocupante | Crítico | Muito crítico | Muito crítico |
| 50 < VMF < 80 | Crítico | Crítico | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico |
| VMF < 50 | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico |
| Agropecuária e energia | GAR > 95 | 90 < GAR < 95 | 80 < GAR < 90 | 50 < GAR < 80 | GAR < 50 |
| VMF > 95 | Excelente | Excelente | Confortável | Confortável | Confortável |
| 90 < VMF < 95 | Confortável | Confortável | Confortável | Confortável | Confortável |
| 80 < VMF < 90 | Preocupante | Preocupante | Preocupante | Preocupante | Crítico |
| 50 < VMF < 80 | Crítico | Crítico | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico |
| VMF < 50 | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico | Muito crítico |
O período de simulação foi de 1979 a 2010, tendo-se adotado um passo de cálculo mensal. As afluências de água ao sistema correspondem às vazões geradas em cada sub-bacia.
Consideraram-se os valores de demanda para abastecimento urbano e rural, uso animal, uso industrial, irrigação e produção de energia.
Na política de operação do sistema, a satisfação de cada um destes tipos de uso tem uma prioridade distinta. O abastecimento à população urbana e rural têm prioridade máxima, sobrepondo-se ao abastecimento industrial, e à agropecuária (uso animal e irrigação) e, finalmente, à produção de energia. No modelo ACQUANET, esta política é traduzida nos valores de prioridade da demanda e de volume-meta dos reservatórios.
| Tipo de demanda | Prioridade | Retorno |
| Abastecimento urbano e rural | 1 | 80% urbano + 50% rural |
| Uso animal | 2 | 20 |
| Uso industrial | 4 | 80 |
| Irrigação | 5 | 20 |
| Energia | 6 | 100 |
| Reservatório | Prioridade | Volume-meta |
| Trecho principal (exceto Xingó) | 95 | 0,8 |
| Xingó | 95 | 1,0 |
| Sub-bacias | 80 | 0,8 |
Nota:
a prioridade varia de forma decrescente entre 1 e 99
As vazões a liberar em cada mês são função do estado hidrológico da bacia hidrográfica, definido pelo volume de água armazenada nos dois principais reservatórios da calha principal, Três Marias e Sobradinho somado das vazões a eles afluentes.
O balanço hídrico superficial foi realizado para cada uma das sub-bacias da bacia hidrográfica do rio São Francisco, para os principais reservatórios do curso principal do São Francisco e para os trechos de rio entre estas infraestruturas.
Considerou-se que as demandas de cada micro-bacia situadas a menos de 5+10 km (5 km para as regiões fisiográficas do Alto e Médio SF e 10 km para o Submédio e Baixo SF) do curso de água principal do rio S. Francisco são por ele satisfeitas.
Os volumes de água mobilizados para produção de energia foram estimados tendo em conta o histórico da operação dos principais reservatórios da calha principal do rio São Francisco.
Assumiu-se que as necessidades dos ecossistemas eram asseguradas pelos volumes de água turbinados para produção de energia.