Análise Integrada


A análise integrada da bacia foi realizada na forma de análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças), cuja síntese se apresenta:

  • Dinâmica demográfica favorável
  • Tendência de crescimento da produção das atividades econômicas
  • Crescimento do IDHM nas últimas décadas
  • Riqueza em recursos minerais
  • Persistência de remanescentes de vegetação nativa de elevada importância ecológica
  • N.º de espécies com interesse ou potencial do ponto de vista econômico, elevada biodiversidade e taxa de endemismo
  • Presença na BHSF de dois biomas que constituem dois dos 35 hotspots de biodiversidade a nível mundial: cerrado e mata atlântica
  • Conjunto significativo de áreas e sítios de interesse natural e cultural, com grande potencial para o desenvolvimento do setor turístico
  • Tendência geral de evolução positiva da qualidade da água superficial na última década ou manutenção num bom nível de qualidade em mais de metade das sub-bacias hidrográficas
  • Boa qualidade da água subterrânea para os diferentes usos do Alto São Francisco e em grande parte do Médio São Francisco (exceção é o limite Norte, bem como o aquífero Salitre na bacia carbonática de Irecê)
  • Boa qualidade para o consumo humano e excelente para a irrigação da água do sistema aquífero Urucuia (o mais importante da bacia)
  • A existência de reservatórios possibilita a alocação dos recursos hídricos disponíveis a diversos usos, controlar cheias e gerir períodos de seca
  • Existência de sistemas de gerenciamento de outorgas e de cobrança pelo uso da água implantados
  • Rede de monitoramento de qualidade das águas superficiais do estado de Minas Gerais
  • Rede de monitoramento de qualidade das águas subterrâneas dos sistemas aquíferos Urucuia/Areado (Alto São Francisco) e Tacaratu (Submédio São Francisco) rede de monitoramento quantitativa de águas subterrâneas
  • Interesse e nível de envolvimento da população na recuperação da bacia hidrográfica
  • Desmatamento expressivo (47% da bacia), com conversão de áreas potenciais e prioritárias para conservação para utilização agropecuária
  • Insatisfatório grau de proteção das áreas legalmente protegidas, notadamente face ao desmatamento e a lacunas na conectividade entre áreas potenciais e prioritárias para conservação e unidades de conservação
  • N.º elevado de espécies com estatuto de ameaça, em particular das restritas à área de remanescentes de mata atlântica
  • Estoque pesqueiro em declínio
  • Elevada intensidade de consumo de água do setor agropecuário e perspectiva de forte crescimento da demanda de água para abastecimento humano nos próximos anos
  • Baixos índices de atendimento de abastecimento de água, coleta de esgotos e resíduos sólidos, principalmente no Submédio e Baixo São Francisco, e para a população rural; disposição inadequada de efluentes e resíduos
  • Produção de eletricidade: sistema nacional muito dependente dos recursos hídricos do São Francisco
  • Conflitos com as comunidades tradicionais no que diz respeito a terras e a distribuição dos recursos hídricos
  • Problemas acentuados de qualidade da água superficial em algumas sub-bacias hidrográficas (e.g. rio Paraopeba, rio das Velhas, rio Verde Grande), e indícios de agravamento da contaminação por tóxicos (e.g. rio das Velhas) e orgânica em alguns corpos d´água (e.g. rio Jacaré)
  • Ausência de estudos hidrogeológicos e de monitoramento para a maioria dos aquíferos, sendo restrito o conhecimento relativamente à qualidade das águas subterrâneas, aos modelos conceituais de funcionamento, aos parâmetros hidráulicos e sua relação com as águas superficiais
  • Problemas de desertificação e de qualidade da água subterrânea no semiárido e descumprimentos pontuais para alguns usos no Alto São Francisco
  • Reduzido potencial hidrogeológico e significativa mineralização e a salinização das águas subterrâneas do semiárido
  • Águas subterrâneas contaminadas devido a atividades humanas (Alto e Médio São Francisco), com particular destaque para os postos de combustíveis e a agricultura
  • Secas prolongadas causam diminuição de vazão de nascentes
  • Problemas de assoreamento e dificuldades/riscos à navegação em vários trechos da hidrovia do SF
  • Superexplotação de recursos hídricos, sobretudo no Médio, Submédio e Baixo São Francisco
  • Superexplotação de sistemas aquíferos (Salitre/sub-bacia Verde/Jacaré e Bambuí/sub-bacia Verde Grande)
  • Existência de vários usos conflitantes com expressão significativa, tais como os diversos usos consuntivos, a manutenção de ecossistemas, a produção de energia, a navegação, a pesca e aquicultura e o turismo e lazer, a que se devem acrescentar a necessidade de controle de cheias e a descarga de contaminantes
  • Acentuada regularização do curso principal do rio São Francisco afeta os ecossistemas
  • Problemas de articulação interinstitucional (no planejamento, no gerenciamento e na fiscalização)
  • Ausência de uma estratégia de gestão compartilhada das águas subterrâneas e superficiais
  • Insuficiências na implementação da política de segurança de barragens, particularmente no Submédio e Baixo São Francisco
  • Desconfiança e descrença da população nos instrumentos de ordenamento e gerenciamento dos recursos e do território
  • Aumento do uso racional da água na agricultura (fruto de incentivos, programas, projetos e propostas de ações de instituições como a ANA, a Embrapa e a Codevasf)
  • Diversificação da matriz energética (ainda que ligeira, e não estrutural), decorrente da expansão da energia elétrica gerada a partir de biomassa e eólica
  • Definição de critérios de compatibilização entre os vários usos e de restrições de operação das usinas
  • Aumento da sustentabilidade da produção do setor mineral, potenciada pela implementação das medidas previstas no Plano Nacional de Mineração 2030 e pela obrigatoriedade de elaboração de Planos de Utilização da Água na Mineração
  • Contribuição dos planos estaduais de gestão de resíduos sólidos para a disposição adequada de resíduos, e bem assim, para a redução da poluição difusa, no longo prazo
  • Aumento do aproveitamento do financiamento disponível para intervenções na bacia, potenciado pela criação de novos comitês de bacia, pelo fortalecimento do CBHSF e pelo aumento da capacitação técnica
  • As alterações ao uso do solo (impermeabilização) e a longo prazo as alterações climáticas poderão alterar as condições de recarga de aquíferos e a disponibilidade hídrica subterrânea, com repercussão na vazão dos rios que dependem das águas subterrâneas
  • Aumento do consumo de água subterrânea em virtude da diminuição das disponibilidades hídricas superficiais
  • Expansão dos perímetros irrigados, particularmente em sub-bacias onde o balanço hídrico já não é favorável atualmente ou onde já se verifica degradação da qualidade da água
  • Significativo número de processos minerários, que poderão constituir uma pressão para os recursos hídricos da bacia
  • Dependência da operação do sistema hidroelétrico, por exemplo, no que diz respeito à lâmina de água disponível para navegação
  • Projetos de transposição de água em implantação ou planejados (Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – PISF –, Canal do Sertão Alagoano, Canal do Sertão Baiano ou Eixo Sul), face à existência de balanços hídricos desfavoráveis em algumas sub-bacias; irrigação a partir dos canais da transposição, não planejada a nível do projeto, mas de ocorrência previsível
  • Agravamento dos conflitos entre os vários usos