Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco 2016-2025

Os impactos negativos das alterações climáticas deverão sentir-se com mais intensidade nas bacias a jusante de Itaparica onde existe uma tendência mediana de decréscimo dos indicadores de disponibilidade de água (Q90 ou Q95) da ordem dos 6% ou 18% (série de 2011-2040 versus 1961-2000), consoante o cenário de emissões. A incerteza em torno destes valores medianos é, no entanto, elevada, justificando a realização de estudos complementares.
Não existem estudos que avaliem os potenciais efeitos das alterações climáticas especificamente nas águas subterrâneas da bacia. Contudo, nos Subsídios ao Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas é referido um estudo que estima que as águas subterrâneas no Nordeste do Brasil devem ter uma redução na recarga em 70% até 2050.
As zonas onde atualmente já existem situações de balanço hídrico desfavorável ou nos cenários de demandas consuntivas de água, são naturalmente as mais vulneráveis.
Em um cenário de aumento da temperatura e da evapotranspiração, e em uma região onde as secas são já um fenômeno recorrente, os problemas de qualidade relacionados com a significativa mineralização poderão intensificar-se no semiárido e começarem a identificar-se noutras zonas da bacia. Ou seja, aos prováveis impactos quantitativos nos recursos hídricos subterrâneos, tenderá igualmente a associar-se o risco de degradação qualitativa destes mesmos recursos.
Relativamente à subida do nível do mar, a principal influência nas águas subterrâneas poderá ocorrer em particular nos aquíferos mais próximos da linha de costa (sobretudo Barreiras e Depósito Litorâneo, na Bacia Sedimentar de Alagoas-Sergipe).